"Lendo dramaturgia", por Érika Rocha


- depoimento
Após termos navegado pelas impressões de dramaturgos(as), atores e atrizes, diretoras(es), tradutores(as) e pessoas do teatro sobre as razões que os levam a ler dramaturgia, pedimos agora o relato desses grupos sobre a leitura dramatúrgica em si mesma. A ideia é acompanhar a sensação dos leitores desse gênero literário. O que descobrem, sobre o que refletem, que texto e qual autor movimentam seu olhar e sua experiência de leitura? A primeira convidada é a atriz, escritora e historiadora Érika Rocha, também colaboradora da Companhia do Latão, que partilha conosco sua interação com a peça “random”, da dramaturga britânica debbie tucker green.

A reescrita de si e dos outros: Marguerite Duras e a dramaturgia de “La Musica e La Musica segunda”


- crítica teatral
artigo por LAURA MASCARO — Recém-lançada pela Temporal, "La Musica e La Musica segunda" é uma obra de Marguerite Duras que inclui duas peças de teatro da escritora. Laura Mascaro, doutora em Literatura Francesa, escreve nesta quinzena sobre a obra durassiana e os protagonistas do livro que acaba de sair. Ao pensar sobre os afetos e as tensões que cercam o volume, Mascaro delineia um caminho autoral pela obra, que você pode conferir abaixo. Refletindo sobre claro e escuro, teatro e cinema, a pesquisadora analisa pares fundamentais do universo durassiano. Boa leitura!

Duas cenas de "O pão e a pedra", de Sérgio de Carvalho


- crítica teatral
A Companhia do Latão comemora 25 anos de trajetória em 2022. Para celebrar a obra deste coletivo teatral, em que resistência cultural e existência política se mesclam, publicamos abaixo um excerto da peça "O pão e a pedra". O espetáculo, assinado por Sérgio de Carvalho, virou livro e integra o catálogo de dramaturgia brasileira da Temporal. A obra se passa em 1978, no contexto das greves do ABC Paulista, que moldaram o sindicalismo no Brasil e ajudaram a enfraquecer a ditadura civil-militar. Vida longa à Companhia do Latão e nossos agradecimentos às contribuições que o grupo presta, desde sua fundação, ao teatro nacional. Boa leitura a todos e todas!

O “teatro da catástrofe” de Howard Barker


- crítica teatral
artigo por ELTON ULIANA — Para o mês de aniversário do dramaturgo inglês Howard Barker, nascido em 26 de junho de 1946, o tradutor Elton Uliana – que se ocupa de sua obra e mantém colaboração direta com o próprio Barker há alguns anos – preparou uma apresentação do teatro barkeriano. Designado “teatro da catástrofe”, este universo criativo exprime uma brutalidade que, de acordo com Uliana, remete a tempos elisabetanos e jacobinos. Ao tratar da ambição humana e da dimensão sexual dos sujeitos, o dramaturgo dá vida a uma obra pulsante e polêmica, que gera debates acalorados mundo afora, levando seu tradutor a questionar se já existe uma audiência pronta para tal projeto teatral. Com excertos de peças e poemas de Barker, Uliana delineia abaixo esse mundo dramatúrgico, ao trazer à tona sua atmosfera estética e filosófica, sem meias-palavras.

"Por que ler dramaturgia?", por Gustavo Colombini


- depoimento
Pedimos a pesquisadores(as), dramaturgos(as), tradutores(as) e demais envolvidos(as) no universo teatral responderem a uma pergunta que tanto nos inquieta desde o nascimento da Temporal e que tem espaço especial aqui, no Blog da editora: afinal, por que ler dramaturgia? Se o gênero não figura entre os frequentes do público brasileiro, não consta entre as categorias da maioria dos prêmios literários, ou é destaque nas livrarias e na imprensa, além de, com frequência, se distinguir da literatura, por que se interessar por ele? Nesta quinzena, recebemos o diretor e dramaturgo Gustavo Colombini, autor de peças como Colônia e O silêncio depois da chuva, tendo esta última lhe rendido uma indicação ao prêmio APCA de São Paulo na categoria de Melhor Dramaturgia. No texto abaixo, Colombini reflete sobre a importância da leitura dramatúrgica na sua trajetória e destaca a forma pela qual o texto teatral pode nos auxiliar na imersão em um outro tempo, longe da aceleração dos dias atuais. E que, para compreendermos o futuro da dramaturgia e, portanto, do teatro ele mesmo, precisamos reaprender o ato de leitura dramatúrgica.

Na primavera de Wedekind, os sonhos nem sempre fazem dormir


- crítica teatral
artigo por DIEGO CERVELIN — O psicanalista e doutor em Literatura Diego Cervelin mostra a faceta pulsante, e atual, da obra "O despertar da primavera", de Frank Wedekind, em texto sobre os motivos que levaram a peça a gerar interesse entre destacados nomes da psicanálise. Jacques Lacan chegou a escrever um prefácio à obra, afirmando que Wedekind antecipou Freud, "e muito".

"Por que leio dramaturgia?", por Luís Reis


- depoimento
Pedimos a pesquisadores(as), dramaturgos(as), tradutores(as) e demais envolvidos(as) no universo teatral responderem a uma pergunta que tanto nos inquieta desde o nascimento da Temporal e que tem espaço especial aqui, no Blog da editora: afinal, por que ler dramaturgia? Se o gênero não figura entre os frequentes do público brasileiro, não consta entre as categorias da maioria dos prêmios literários, ou é destaque nas livrarias e na imprensa, além de, com frequência, se distinguir da literatura, por que se interessar por ele? Em mais um relato da série, quem compartilha conosco a sua escuta própria do texto dramatúrgico é o professor e pesquisador da UFPE Luís Reis, com pesquisa voltada ao teatro popular da região nordeste. Atuando também como dramaturgo, teve inúmeras de suas peças encenadas, entre as quais destacamos "A filha do teatro" (2003), "A morte do artista popular" (2010) e "Puro lixo, o espetáculo mais vibrante da cidade" (2015)

Sempre às margens


- crítica teatral
texto por CHRISTIAN EGER, tradução de ALICE DO VALE — Nesta quinzena, publicamos no Blog da Temporal um texto do jornalista Christian Eger que traça encontros entre a literatura e a trajetória de Botho Strauss, autor de “Trilogia do reencontro”. Em sua obra, o dramaturgo alemão pensa as relações humanas de forma provocadora e compõe um aguçado diagnóstico do seu tempo. Solitário e vivendo longe dos holofotes, Strauss vem do teatro e do jornalismo sobre teatro, que, juntos, ajudaram a formar um escritor da sociedade. Filho de um consultor de alimentos que foi levado à prisão de Naumburg por suposto crime contra a economia, Strauss usou essa e outras experiências de sua vida como matéria-prima literária. Autor autêntico, Strauss é, segundo o colega Peter Handke, merecedor de um Nobel de Literatura.

"Por que ler dramaturgia?", por Stephan A. Baumgärtel


- depoimento
Pedimos a pesquisadores(as), dramaturgos(as), tradutores(as) e demais envolvidos(as) no universo teatral responderem a uma pergunta que tanto nos inquieta desde o nascimento da Temporal e que tem espaço especial aqui, no Blog da editora: afinal, por que ler dramaturgia? Se o gênero não figura entre os frequentes do público brasileiro, não consta entre as categorias da maioria dos prêmios literários, ou é destaque nas livrarias e na imprensa, além de, com frequência, se distinguir da literatura, por que se interessar por ele? Em abril, para o quarto depoimento da série, convidamos um parceiro já conhecido da Temporal. Autor do Prefácio à edição de “Trilogia do reencontro”, de Botho Strauss, publicada pela editora em 2020, Stephan A. Baumgärtel compartilha conosco um relato sobre as especificidades da dramaturgia – seus desenhos, prazeres e atravessamentos – e sobre as possibilidades que provêm do encontro entre texto teatral e cena, ao qual o autor nomeia “jogo cênico”.

Desvendando Frank Wedekind


- entrevista
tradução por VINICIUS MARQUES PASTORELLI — Nascido em 24 de julho de 1864 na cidade alemã de Hannover, Frank Wedekind atuou em diversas frentes do campo cultural ao longo de sua vida: foi dramaturgo, encenador, ator, recitador, romancista, poeta, jornalista, produtor de uma companhia de circo e publicitário. Em toda sua obra, nota-se a presença de uma personalidade marcada pela inquietação, tendo produzido uma literatura crítica, satírica e antiburguesa. Pertencendo ao mesmo caldo cultural de onde surgiram os trabalhos de Ibsen, Nietzsche, Strindberg e Hauptmann, Wedekind procurou responder, à sua maneira, às necessidades de renovação cultural e teatral de sua época. Ao fazer uso de diversos procedimentos dramáticos, foi capaz de exercer considerável influência sobre a geração seguinte de escritores, com destaque para os trabalhos de Bertolt Brecht, e até mesmo sobre a psicanálise de Sigmund Freud e Jacques Lacan.