Com O despertar da primavera: uma tragédia infantil, o dramaturgo alemão é o mais novo autor a integrar nosso catálogo, ampliando a publicação de obras fundamentais do campo teatral com mais uma coleção: a de teatro moderno. Nesta quinzena, o Blog da Temporal revela mais sobre esta figura excêntrica e fundamental para a dramaturgia.
A seguir, confira o retrato de Frank Wedekind publicado pelo jornalista Maximilian Harden.[i] A entrevista pingue-pongue, como ficou conhecida a prática de perguntas e respostas rápidas entre interlocutores, é uma cortesia do tradutor Vinicius Marques Pastorelli, que nos revelou, traduzindo ao português, este valoroso conteúdo.
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Entrada de Wedekind no livro de visitas do jornalista
(Traducão de Vinicius Marques Pastorelli)
Qualidade favorita em um homem: temperamento, energia
Qualidade favorita em uma mulher: inteligência
Minha ideia de felicidade: ser utilizado em conformidade às próprias disposições
Habilidade em que se destaca positivamente: mentir
Habilidade em que se destaca negativamente: dizer a verdade
Ciência favorita: religião
Movimento artístico: Michelangelo, Ticiano, Rubens, Makart
Atividades sociais favoritas: as inocuamente divertidas
A mais incurável falta de talento: como pianista
Escritor favorito: Schiller
Compositor favorito: Beethoven
Livro favorito: Casanova
Instrumento musical favorito: quarteto de cordas
Herói literário favorito: Ricardo III
Herói histórico favorito: Alexandre, o Grande
Cor favorita: vermelho
Flor favorita: calla
Pratos favoritos: peixes, aves, salada verde
Bebida favorita: vinho leve local
Nome favorito: Tilly[ii]
Esporte favorito: teatro
Jogo favorito: o que se joga com o mundo
Como você vive: com paixão
Seu temperamento: melancólico
Principal traço de caráter: pertinácia, eu espero
Mote: 2 x 2=4
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[i] Maximilian Harden (1861-1927) tem associado ao seu nome o Escândalo Harden-Eulenberg, também chamado a denúncia da Távola Redonda do Palácio de Liebenberg. Entre 1907 e 1909, sob a suposta influência da ala de Bismarck alijada do governo, o jornalista berlinense publica na revista Die Zukunft artigos lançando dúvidas sobre a reputação do kaiser Wilhelm II para exercer o poder e, logo em seguida, revelando a relação homossexual do príncipe Eulenberg-Herzefeld com o general Cuno von Moltke, ambos próximos ao imperador. O escândalo, com consequências legais, já que a homossexualidade era tipificada como crime no parágrafo 175 do Código Criminal, força o governo a reagir, seja dirimindo as suspeitas, seja desestabilizando-o e forçando-o a se aproximar de uma ala política que levará a Alemanha à Primeira Guerra Mundial.
[ii] A atriz Tilly (1886-1970) foi esposa de Wedekind até o ano de sua morte, em 1918, e protagonizou algumas de suas peças, como A caixa de Pandora e Rei Nicolo.
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Vinicius Marques Pastorelli é formado em letras pela Universidade de São Paulo (2009), com aperfeiçoamento em língua e cultura alemã pelo Herder-Institut de Leipzig (2013) e mestrado em literatura comparada pelo Departamento de Teoria Literária
e Literatura Comparada da FFLCH-USP, com pesquisa sobre Kurt Weill e o jovem Bertolt Brecht (2014). Desde então, tem dirigido seus estudos para a relação entre música e literatura, com a escrita de ensaios sobre diversos temas dessa área de interesse. No âmbito da cultura germânica, traduziu poemas de Heiner Müller para a revista eletrônica Zunai (2013), de Frank Wedekind e de Heinrich Heine para a revista Magma (2014), de Eduard Mörike, musicados por Hanns Eisler, para a revista eletrônica Campo Aberto (2018), além do prefácio e das apresentações para o volume de aquarelas do pintor austríaco Thomas Ender editado pela Capivara (no prelo), e dos ensaios de Theodor Adorno para os volumes Indústria cultural (2020) e Figuras sonoras e outros ensaios (no prelo), ambos editados pela Unesp. Atua como músico e compositor no teatro desde 2010.