autor(a): Eugène Ionesco

Vítimas do dever


Estreada em Paris em 1953, é considerada por Eugène Ionesco sua peça mais pessoal.

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O livro

FICHA TÉCNICA

Gênero Teatro estrangeiro
Formato 14 x 19 cm
Peso 174 g
ISBN 9786587243450
Publicação 2025

O livro

Estreada em Paris em 1953, Vítimas do dever é considerada por Eugène Ionesco sua peça mais pessoal. Nela, o dramaturgo transforma vivências íntimas em uma alegoria inquietante sobre identidade, dever e alienação. A trama se inicia com a chegada de um policial à casa de Chubert e Madalena, à procura de um homem chamado “Mallot com um t”. A busca, que emula o suspense de uma investigação policial, logo escapa à lógica do gênero e mergulha em camadas de sentido ambíguas, abrindo espaço para transformações constantes de identidade e relações de poder entre os personagens.

O que poderia ser apenas uma intriga de mistério revela-se um questionamento profundo sobre os efeitos da obediência cega, o peso do passado e os limites da linguagem. Diálogos circulares, situações absurdas e cenas desestabilizadoras compõem uma dramaturgia marcada por um teatro que, nas palavras do próprio Ionesco, busca “esmiuçar o vazio”. A peça coloca o espectador diante de um mundo em que as certezas se dissolvem, e onde o dever — mais do que um valor — é um fardo que distorce a realidade e a subjetividade.

Por que ler a peça?

Vítimas do dever permanece, mais de 70 anos após sua estreia, como um exemplo emblemático do que se convencionou chamar de teatro do absurdo. A peça desafia os limites da linguagem e da lógica, promovendo uma experiência teatral densa e perturbadora, que desnuda as engrenagens sociais e psicológicas que condicionam o ser humano. O protagonista, Chubert, vive uma jornada de desencontro entre sua subjetividade e as normas que o circundam, preso em uma estrutura social que impõe obrigações e destrói singularidades.

Para além de seu valor artístico, a peça é também uma chave de leitura da própria trajetória de Ionesco. Muitos críticos apontam Vítimas do dever como sua obra mais autobiográfica: nela, encontramos referências diretas à infância do autor, ao abandono paterno, à figura da mãe, à obsessão com o teatro — tudo transfigurado em uma forma radical de autoanálise e crítica social. Ao mesmo tempo, a peça é um manifesto contra o retorno ao drama aristotélico e uma afirmação da potência do antiteatro.
A edição brasileira ainda amplia essa leitura ao reunir elementos que contextualizam a criação e as principais montagens da obra. O posfácio do professor Gilles Ernst oferece um mergulho nos múltiplos níveis de interpretação da peça, enquanto o prefácio de Bruno Brandão Daniel introduz os recursos formais e estéticos empregados por Ionesco.

Por dentro da edição da Temporal
Tradução e prefácio de Bruno Brandão Daniel


Posfácio de Gilles Ernst


Fichas técnicas das montagens mais relevantes


Sugestões de leitura e cronologia do autor


Notas explicativas e ensaio “História e poética das encenações”


Fotografias da montagem do Teatrul Național Mihai Eminescu de Timișoara (Romênia, 2024)


“Testemunho da genialidade de Ionesco em transformar o caos da existência em arte provocativa e penetrante, Vítimas do dever nos transporta para um universo onde a normalidade é subvertida e a lógica é abandonada.”

 — Bruno Brandão Daniel

Sobre o autor

Eugène Ionesco, nascido em 26 de novembro de 1909 em Slatina, Romênia, foi um notável dramaturgo com raízes culturais duplas, tendo passado grande parte de sua infância em Paris. Em 1929, ingressa na Universidade de Bucareste, onde estuda filologia moderna e inicia sua carreira como professor de língua francesa. Aos 27 anos, Ionesco se casa com Rodica Burileanu, com quem tem uma filha, Marie-France Ionesco, inspiração para muitas de suas histórias infantis não convencionais.

Em 1938, antes do início da Segunda Guerra Mundial, mudam-se para Paris, onde Ionesco obtém uma bolsa de estudos do governo francês para pesquisar a poesia de Baudelaire. No entanto, com a guerra iminente, o casal retorna a Bucareste, onde o autor passa a trabalhar como funcionário da administração romena durante o governo de Vichy. Após o término da guerra, a família retorna a Paris e Ionesco se torna revisor em uma casa editorial.

Somente aos 40 anos, em 1949, Ionesco escreveu sua primeira peça, A cantora careca, inaugurando uma série de textos que o associaram ao teatro do absurdo, juntamente com Samuel Beckett. Nas décadas de 1950 e 1960, o autor produz uma série de peças curtas e obras notáveis, como A lição (1950), As cadeiras (1951), Vítimas do dever (1952) e O rinoceronte (1959), que se tornou um clássico. Ao longo de sua carreira, Ionesco escreve 39 peças teatrais, tendo também se dedicado à escrita de diários íntimos, ensaios, literatura infantil, desenho e pintura. Ionesco foi eleito membro da Academia Francesa de Letras em 1970 e faleceu em 28 de março de 1994, deixando um grande legado à literatura e ao teatro.