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Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come
trecho da obra
-
Todos
(Cantam)
pag. 33
Se corres, bicho te pega, amô.
Se ficas, ele te come.
Ai, que bicho será esse, amô?
Que tem braço e pé de homem?
Com a mão direita ele rouba, amô,
e com a esquerda ele entrega;
janeiro te dá trabalho, amô,
dezembro te desemprega;
de dia ele grita “avante”, amô,
de noite ele diz: “Não vá!”
Será esse bicho um homem, amô,
ou muitos homens será?
- Brasil
- 2024
- 224 págs
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come Ferreira Gullar e Oduvaldo Vianna Filho
Terceiro espetáculo do grupo Opinião. Assim como os shows Opinião e Liberdade, liberdade, esta peça também foi concebida no contexto pós 1964, porém assumiu, mais do que os espetáculos anteriores, o grande desafio de encontrar uma linguagem teatral que permitisse analisar criticamente as circunst...
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Savannah Bay
trecho da obra
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A Jovem
Você se lembra do quê?
-
Madalena
Dos grandes pântanos na foz do Magra. Dos bosques. Eles ainda estão ali. (Tempo) O mar. (Tempo) A pedra. (Tempo) O tempo.
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A Jovem
Os gritos.
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Madalena
Não. A história.
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A Jovem
(Tempo) Nunca tinham visto um amor assim?
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Madalena
Não. (SILÊNCIO)
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A Jovem
Um amor como?
-
Madalena
Um amor. (Tempo) Um amor de todos os instantes. (Tempo) Sem passado. (Tempo) Sem futuro. (Tempo) Fixo. (Tempo) Um crime.
pag. 134
- Vietname
- 2023
- 176 págs
Savannah Bay Marguerite Duras
A narrativa de Savannah Bay se tece na relação entre as duas únicas personagens que aparecem no palco – Madalena, mulher que já atingiu “o esplendor da idade”, e a Jovem, não nomeada, talvez sua neta. Como através de um espelho, essa relação se desdobra em uma outra trama, constituída a partir da...
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Vítimas do dever
trecho da obra
-
Chubert
A voz se calou. (Chubert se dirige ao Policial) Pai, nunca nos entendemos… Você ainda consegue me ouvir? Vou obedecê-lo. Perdoe-nos, pois nós já o perdoamos. Mostre seu rosto! (O Policial não se move) Você era duro, mas talvez não fosse tão mau. Talvez você não tenha culpa. Não foi você. Eu odiava sua violência, seu egoísmo. Não tive compaixão por suas fraquezas. Você me batia, mas eu era mais duro. Meu desprezo bateu mais forte em você. Foi meu desprezo que o matou. Não foi? Escute… Eu precisava vingar minha mãe… Eu precisava… Qual era meu dever? Deveria fazê-lo de fato?… Ela o perdoou, mas eu continuei assumindo sua vingança… Para que serve a vingança? Sempre é o vingador que sofre… Você está me ouvindo? Descubra seu rosto. Dê-me sua mão. Poderíamos ter sido bons amigos. Eu era muito pior que você. Você era burguês. Que importância tem isso? Fiz mal em desprezá-lo. Não valho mais do que você. Que direito eu tinha de castigá-lo? (O Policial continua sem se mexer) Façamos as pazes! Façamos as pazes! Dê-me sua mão. Vamos, venha comigo, vamos encontrar os companheiros! Beberemos juntos! Olhe para mim, olhe! Me pareço com você. Você não quer… Se quisesse me olhar, você veria como me pareço com você. Tenho todos os seus defeitos. (Silêncio. O Policial não muda de posição) Quem terá compaixão por mim, o impiedoso? Ainda que você me perdoasse, eu jamais poderia perdoar a mim mesmo!
pags. 58 -- 59
- Roménia
- 2025
- 176 págs
Vítimas do dever Eugène Ionesco
"Encenada pela primeira vez em 1953, Vítimas do dever é a peça em que Eugène Ionesco satiriza o teatro realista ao colocar um inspetor diante de um homem comum, num interrogatório que rapidamente mergulha no absurdo. A busca por um nome esquecido leva o protagonista a questionar sua própria ident...
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Fundada em 2018, a Temporal é a casa da dramaturgia, do pensamento crítico e de todas as artes que pulsam no tempo. Acreditamos que um livro é um convite para o diálogo, capaz de transformar nossa percepção sobre o presente, assim como um encontro no teatro.
Nossa missão é levar a potência do palco, a qualquer lugar, publicando o que há de mais vibrante na dramaturgia nacional e internacional.



















